Primeiro post

Nesse blog vou falar sobre a minha jornada no mercado de ações, o que descobri, quem sigo, por que sigo, o que compro, o que vendo. Tenho a certeza de que o mercado de ações é uma das maneiras de conseguir realmente uma prosperidade na vida, e quanto mais cedo um começar a aportar, mais o mecanismo dos juros compostos vão poder trabalhar para que ele tenha sucesso. É um jogo em que quem tem informação se dá bem, e quem não tem se ferra e compra gato por lebre. Meu papel aqui vai ser levar ao leitor informação de relevância que fui acumulando nesses meus cinco anos de investidor em ações, e dez anos em que já aporto.
Em dez/09 comecei a trabalhar e a aportar. Já tinha lido livros do Cerbasi antes e me familiarizado com a ideia dos juros compostos. Investia em fundos e já tinha uma conta na corretora, mas minha primeira experiência com ações foi ruim, ficava só no forum do projeção e comprava o que a galera recomendava por lá. Tinha um cara de nome CAOS que ficava falando que tal ou qual ia bombar e seguia ele. Não tive um bom resultado.
Fui investindo em fundos de ações do BB e obtive um resultado interessante. Não sabia ainda o peso das taxas de fundos de investimento no rendimento, e não sabia o quanto esses fundos eram caros. Comprei o de energia elétrica, o de dividendos e o de cielo. Tinha um caderninho que anotava as cotas dos fundos, que renderam até um pouco bem. Até a famosa MP 579, em set/12 que derrubou a rentabilidade das elétricas na bolsa. Também tinha investido um pouco em fairplace (péssima ideia, não invisto mais nesse tipo de crédito direto), debêntures e tesouro direto. No Tesouro, comprava NTNB achando que me protegia contra inflação, mas não me ligava em qual momento da curva de juros estávamos, e acabei comprando títulos caros na época de IPCA + 3%. A informação sobre o tesouro era muito 'baby level' e a marcação a mercado era uma 'estratégia arriscada dos especuladores'. Com o tempo criei coragem e voltei às ações, em set/14, com um aporte inicial de 90k dos meus outros investimentos. Nessa época tinha aprox. 350 k guardados, 100k em TD, 90k em LCA, que ganhava seu quase mítico 1%a.m. na época, 40k em fundos, e algumas debêntures. Minha taxa de poupança média era de 43% à época.

Meu método inicial nessa nova fase foi fundamentalista. Minha base foi o Anderson Lueders, do forum ADVFN, tópico small caps. Logo depois também comecei a seguir o paulo_prof, professor de alguma instituição dessas tipo IME ou ITA e que sempre faz análises fundamentalistas muito boas sobre o que está barato ou caro. Usava o site do fundamentus e olhava os múltiplos para poder investir.
Também seguia o Bastter nessa época, minha corretora dava o bastter blue de graça, via vários vídeos, comprei até ABEV por causa dele. Mas depois me antagonizei totalmente com o estilo dele, porque descobri que o preço importa muito na hora da compra. Via que ele bania quem não concordasse com ele, tinha um usuário que postava análises macro muito boas, o malandro, que foi expulso do site por não aderir ao pensamento monolítico estilo seita que ele pregava. Ele chegou a negar que múltiplos servissem para alguma coisa. Um cara desses como gestor de fundos seria um desastre, por isso que ele ganha dinheiro com assinantes e não de seus investimentos. Ainda bem que descobri isso a tempo. Mas na época era o que tinha.
Lia muito o forum do small caps do advfn, mas não me aventurava nos outros fóruns da advfn, parecia que só tinha gente de curto prazo e que gostava de análise técnica. Nessa época o investimento em FIIs estava em alta no fórum, com yields de até 1%a.m. O Anderson (small_caps) mesmo investia majoritariamente em fundos imobiliários. O paulo_prof fazia um tabelão gigante de FIIs com o que era melhor em termos de p/vp, yield, etc. Era uma boa época para investir em FIIs, e minha carteira era mais ou menos 40% FII, 40% ações e 20% RF.
Também descobri a blogosfera de finanças em algum ponto nessa época, e gostava muito de ver os posts dos 'soldados do milhão' que estavam investindo também. Gostava do blog do pobretão de vida ruim, apesar de suas críticas ácidas à vida, curtia o ideal batalhador do brasileiro médio. Postava lá de vez em quando com o nick duran-duran. Até que um dia ele resolveu fazer um all in em ELPL4, e depois acabou com o blog. Investidor troll era outro que sempre lia, apesar de ser discípulo do bastter. Esses blogs era uma maneira de eu ver o que se passava na cabeça dos outros investidores, mas de maneira geral era sempre aquelas ações queridinhas as que eram recomendadas.
Li o livro do Décio Bazin e vi algumas coisas sobre o Barsi, também, o que me fez apaixonar pela ideia de ações de dividendos. Bazin mesmo tinha uma grande fixação com o número de 6% de yield ao ano: se fosse maior que isso a ação era boa. Achei interessante as histórias de uma bolsa de outra época, nomes como belgo-mineira, acesita, aços villares. Por que esses nomes não estão na bolsa mais? O que houve com os acionistas dessas empresas? Lendo mais um pouco sobre o tema me inteirei sobre o grande boom de 1971, criado pelo regime militar, que deixou muita gente verdadeiramente rica com ações. Na época o acervo da revista veja era liberado para consulta, e folheava digitalmente essas revistas antigas para ver o retrato do Brasil de outra época, que nunca vivi, e imaginava o que aqueles investidores sentiam quando viam suas ações dispararem daquela maneira, e o desespero que devem ter sentido quando veio o crash gigante. Achava muito estranho ninguém falar sobre isso nos fóruns ou em outros lugares, mas depois que conheci a frase de Ivan Lessa: "O brasileiro a cada 15 anos se esquece o que passou nos 15 anos anteriores" vi que isso estava explicado pela nossa vocação para povo com memória de peixe dourado. Vi, com tudo isso, que o esquecimento dos crashes anteriores é fundamental nos próprios ciclos da bolsa. O brasileiro se informa sobre investimentos com os vizinhos, família, etc, e quando descobrem que alguém está ganhando dinheiro com alguma coisa, aí é hora de todo mundo querer crescer o olho e entrar. E isso só ocorre depois de algum tempo de bull market e de anunciarem aos 4 cantos que a bolsa bate recordes. Foi aí que vi que o 'timing' no mercado é absolutamente fundamental: tem hora de ações, hora de FIIs e hora de renda fixa. Quando comecei a investir em FIIs, vários deles pagavam 1% e ninguém falava no assunto.
Depois apareceu muita gente investindo, blogs tipo o do Tetzner, e todo mundo comentando, mas aí os yields já haviam caído para 0,6% ou menos. Depois disso até o paulo_prof parou de fazer os tabelões: já não valia a pena. Mas quem estava fora do mercado foi a primeira vez que escutaram falar em FIIs. Via cada vez mais que se antecipar e evitar o que virou modinha é crucial nesse ramo.
Continuei investindo mesmo com o mercado em baixa: se minha carteira de ações fossem um fundo, a cota teria caído de 100, em set/14, para 63, em jan/16. Mas me mantinha firme nos aportes, e nesse mês de fundo, comprei muita coisa barata por minhas próprias análises: lembro de comprar GOAU3 valendo 10% do P/VP, BBAS3 que estava com P/L de 4, BRAP4 e outras que depois do bull market devolveram todo o prejuízo acumulado da carteira e tudo virou para lucro. Mas em 2015 ninguém queria saber de bolsa. Foi aí que vi o principal uso para os múltiplos: comprar em mercados de queda, principalmente no final do mercado de queda, pois aí estão as melhores oportunidades em termos de múltiplos. Achei que havia achado o santo graal: ele estava no site fundamentus e se chamava P/L. Seus filhos P/VP e DY também. Ganhei muito com essa estratégia. Ao ver um estudo de backtest sobre compras aleatórias usando SOMENTE o P/L batendo feio no ibovespa, tive mais certeza ainda: as ações com o menor P/L tinham batido o IBOVESPA 9700% a 318% de 2002 a 2011 (Value Investing: Uma Análise de Desempenho na Bovespa). Meu ódio a P/Ls altos é algo que se mantém até hoje: basta uma redução nas espectativas de lucros futuros para ação desabar, como aconteceu com UGPA, ou ainda ABEV. As queridinhas também sofrem, aliás, são as que mais sofrem.

Mas algo me chamou a atenção, mesmo após o mercado começar a decolar: eu havia ficado entre VVAR e MGLU para comprar e colocar alguém do varejo na carteira. Pelos múltiplos, comprei VVAR no final de 2015 e, para o meu horror, vi o foguete MGLU passar nos dois anos seguintes. 17.000% de valorização perdida: isso me mostrou que os múltiplos não são tudo.

Depois de um tempo notei que vídeos de qualidade começavam a aparecer no youtube: o que já havia notado com o youtube americano, na área de fitness, começava a ocorrer no Brasil na área de finanças. Me surpreendi com a qualidade do material do Daniel Nigri, e após algum tempo, assinei sua research. Os outros canais como da nord, do infomoney, do william wohlers, do Vicente Guimarães, e até do Fabio Holder foram muito bons também. Aprendi muito com eles. Gostei muito do Daniel, mas assinando vi que a carteira dele de Graham, calculada a partir de P/L e P/VP, sem a interferência dele como analista, dava um show na carteira que ele próprio calculava, o que era um ponto para reforçar a validade da estratégia de escolha por múltiplos SEM INTERFERÊNCIA HUMANA. Não precisa analisar demais até achar cabelo em ovo! Daí fui vendo que muito analista tem receio de recomendar papéis mais obscuros e preferem ficar naquilo que já é conhecido e familiar do mercado, mas os casos de queridinhas que caíram em desgraça mostram que nesse ramo, ninguém está a salvo.

Mas MGLU também me mostrou a força de empresas com crescimento muito forte: achar uma delas numa carteira diversificada pode ser a passagem para a terra das riquezas. Vi algo que aprendi com um gringo chamado Joshua Kennon: o poder da diversificação está em justamente aumentar suas chances de pegar um foguetão desses. Um investimento de 40k num foguete desses te deixaria com 6,8M. Isso é outro patamar. O método dos múltiplos funciona, mas é limitado porque é uma análise de retrovisor, e isso nunca vai mudar. LCAM, também, é outra coisa que perdi, e que o fundo Versa nadou de braçada.

Comecei então a prestar muita atenção nas curvas de evolução da receita, ebitda e margens, para ver para onde o negócio está indo. Assim, comprei LOGN, por exemplo, mesmo depois de ter subido bastante, porque pode crescer muito mais. E fiz vários investimentos procurando crescimento, mas com valores menores que as empresas calculadas com base no P/L. Descobri também o pessoal do twitter, como a Heloisa Cruz. Não usava o twitter antes, mas comecei a seguir todo mundo do mercado financeiro, pessoal da nord também, porque a informação rápida é tudo: muita coisa que aparece lá nunca vai sair em sites de notícia.

Recentemente fui vendo também o papel da liquidez: fundos grandes não vão conseguir entrar em papéis com pouca liquidez. Tem fundo que diz que a bolsa só tem 80 papéis: só conseguem entrar naquilo que gira 80M por dia, tipo uma HYPE3 da vida. Isso te dá um outro modo de olhar, começa a ver quais as opções dos tubarões, e você ve que, como sardinha, tem muito mais escolha que eles. Empresa com liquidez sobe antes das outras e com movimento muito mais forte. Até a BTOW, empresa bem ruim, ficou muito tempo valorizando só por causa do fluxo. Esse foi um dos motivos de compra da OIBR. Muita gente grande está de olho nela, e estava muito assimétrica: muita coisa boa poderia acontecer, e o que estava ruim já estava precificado.

Em 2019, fiquei 100% em ações, vendi os FIIs. Comecei a diversificar de modo a tentar pegar alguns foguetes que pudessem realmente me mudar de nível. Joguei muito o jogo da paciência e agora era hora de, calculadamente, me expor ao mega bull market de modo a achar uma mega valorização. Vi numa entrevista que o próprio Henrique Bredda não achava que a MGLU fosse grande coisa quando entrou nela, mas tinha visto algum potencial: ninguém sabe exatamente quais serão os próximos foguetes.
Comecei a olhar com carinho empresas em Recuperação Judicial, sabendo dos movimentos verticais intensos que elas podem fazer, justamente porque são renegadas pelos fundos de investimento, nos quais os mandatos proibem os gestores de investirem nesse tipo de empresa. Me vi aprendendo sobre a situação do conflito de acionistas de GPCP, que envolvia tanure e a família dona da empresa, os Peixoto de Castro. INEP também, foi por causa da Heloísa Cruz, uma das melhores analistas de valor na minha opinião. A primeira vez que a ouvi no podcast do stockpickers foi como música para meus ouvidos, e me surpreendi quando vi que ela estava comprada em INEP, uma empresa em recuperação judicial, e está lá esperando um foguete também. Se tivesse encontrado ela antes, teria pego JSLG, uma empresa que um pessoal do forum small caps já meio que comentava, mas a dívida me deixava um pouco assustado, mas não tinha ideia do tamanho do valor escondido ali. Esse tipo de informação abre horizontes e mostra que não há uma estratégia vencedora única.

Daí vi que existem muitas oportunidades hoje, até demais, além do que consigo alocar. Quais delas vão dar retorno no próximo ano não dá para saber, mas posso me expor de maneira inteligente e acertar algumas. CRPG, por exemplo, aumentei muito a exposição quando teve o boato de OPA, pois já conhecia o que houve com a UNIP, a qual infelizmente perdi grande parte da valorização da época. Depois vi que tinha um fundo que está muito investido nela, o trígono, que podem barrar a OPA dos preferencialistas.

Minha atividade nesse blog vai ser identificar esses diversos canais de informação para formar meio que um 'feeling' do que as pessoas estão achando que é bom no mercado. E nosso mercado não é tão grande assim: são 400 empresas, já estou bem familiarizado com a grande maioria, para quem sabia os 250 pokemons não é nada impossível. Com certeza alguns foguetes estão escondidos lá no meio, e com certeza vai ter gente ficando rica com eles, então, mãos à obra!

Comentários

  1. Excelente texto!

    E eu também gravei os 250 pokemons, então acredito que também conseguirei avançar!

    Parabéns pelo blog.

    P.I.

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