O homem mais rico da babilônia
Hoje Daniel Nigri postou um vídeo com esse título. Em linhas gerais, ele argumenta a favor de olhar, não o tamanho do seu patrimônio mas o que ele rende por mês. Em outras palavras, ele coloca o dividendo como critério para saber se você está atingindo seus resultados financeiros, e não o patrimônio. Acrescento que essa visão é muito difundida, sendo presente também na obra de Décio Bazin.
Já fui um seguidor dessa visão e acho que entendê-la é muito importante: julgar a vaca pelo leite, julgar o pomar pelas frutas, isso é muito válido e importante nos investimentos.
Mas quando falamos de ações, se guiarmos por isso, podemos nos dar mal. Isso por causa de duas coisas:
1- O mercado antecipa o aumento de dividendos futuros de uma empresa.
2-A diferença entre ter um dividendo alto e um dividendo baixo é uma simples realocação.
Se uma ação começa a pagar dividendos maiores que o previsto, divulga um novo cronograma, se comprometendo a pagar dividendos com mais regularidade, pode ter certeza que as cotações vão subir. Não existem DYs muito grandes no mercado, a não ser que ele esteja enxergando que aquilo não vai perdurar ou que há outros riscos grandes no ativo. Num ambiente de SELIC a 6%, não vai achar DY de 10% e achar que não há nada demais. Algum motivo há para esse yield estar tão grande. Dividendos são uma maneira muito boa de balizar o preço do ativo na realidade. Por isso é importante não olhar o yield, e ter o olho sempre no lucro, porque senão você chega atrasado: o yield é apenas uma parte do lucro que a empresa decidiu distribuir. E outra: empresa que tem DY, se tem muito lucro acumulado, pode começar a distribuir mais. Suspeito que isso vá acontecer com MTSA, daí a alta na cotação recente: ela está lotada de caixa e lucros acumulados. Quem olha yield, olha retrovisor, chega sempre atrasado, pois o mercado se antecipa. Quem sabe comprar dividendo é quem compra olhando o futuro, e aí os dividendos aumentam, e o yield on cost aumenta muito. Esse é o indicador que se tem que ter em mente quando se fala de dividendo.
No final, o seu retorno é o de dividendos MAIS o retorno do capital. Nunca podemos esquecer que, num ativo líquido como as ações, dormir comprado numa posição é equivalente a recomprá-la. Todo dia temos a oportunidade de vender o que está caro e comprar o que está barato. Temos a oportunidade de trocar os ativos que não geram dividendos pelos que geram. Isso faz alguém que apostou em empresas que cresceram muito poder ter muito mais dividendo potencial que os que investiram somente em empresas que pagavam um bom yield mas que não cresceram o lucro.
A principal utilidade do dividendo, de empresas com distribuição constante, é poder esperar. Se uma ação não subir de cotação, ou até cair, o dividendo recebido vai poder fazer você esperar tranquilamente e ser remunerado enquanto o mercado não reconhece o preço justo da sua ação. Agora, se a sua ação não paga dividendo, e ela não anda, ou pior ainda, só cai, aí você está num mato sem cachorro, pois perdeu as oportunidades que andaram, e não ganhou nada a mais por isso. Esse, na minha visão, é o maior papel do dividendo numa carteira de alguém que quer efetivamente ficar rico.
Dividendos são uma boa forma de fazer dinheiro com ações, mas não têm nada de mágico em si mesmo. Não é um fator que faça a ação inerentemente melhor. Desconsiderar a valorização do principal é um erro, porque o principal pode virar um dividendo maior com uma simples realocação (claro, descontando o efeito do imposto de renda).
Já fui um seguidor dessa visão e acho que entendê-la é muito importante: julgar a vaca pelo leite, julgar o pomar pelas frutas, isso é muito válido e importante nos investimentos.
Mas quando falamos de ações, se guiarmos por isso, podemos nos dar mal. Isso por causa de duas coisas:
1- O mercado antecipa o aumento de dividendos futuros de uma empresa.
2-A diferença entre ter um dividendo alto e um dividendo baixo é uma simples realocação.
Se uma ação começa a pagar dividendos maiores que o previsto, divulga um novo cronograma, se comprometendo a pagar dividendos com mais regularidade, pode ter certeza que as cotações vão subir. Não existem DYs muito grandes no mercado, a não ser que ele esteja enxergando que aquilo não vai perdurar ou que há outros riscos grandes no ativo. Num ambiente de SELIC a 6%, não vai achar DY de 10% e achar que não há nada demais. Algum motivo há para esse yield estar tão grande. Dividendos são uma maneira muito boa de balizar o preço do ativo na realidade. Por isso é importante não olhar o yield, e ter o olho sempre no lucro, porque senão você chega atrasado: o yield é apenas uma parte do lucro que a empresa decidiu distribuir. E outra: empresa que tem DY, se tem muito lucro acumulado, pode começar a distribuir mais. Suspeito que isso vá acontecer com MTSA, daí a alta na cotação recente: ela está lotada de caixa e lucros acumulados. Quem olha yield, olha retrovisor, chega sempre atrasado, pois o mercado se antecipa. Quem sabe comprar dividendo é quem compra olhando o futuro, e aí os dividendos aumentam, e o yield on cost aumenta muito. Esse é o indicador que se tem que ter em mente quando se fala de dividendo.
No final, o seu retorno é o de dividendos MAIS o retorno do capital. Nunca podemos esquecer que, num ativo líquido como as ações, dormir comprado numa posição é equivalente a recomprá-la. Todo dia temos a oportunidade de vender o que está caro e comprar o que está barato. Temos a oportunidade de trocar os ativos que não geram dividendos pelos que geram. Isso faz alguém que apostou em empresas que cresceram muito poder ter muito mais dividendo potencial que os que investiram somente em empresas que pagavam um bom yield mas que não cresceram o lucro.
A principal utilidade do dividendo, de empresas com distribuição constante, é poder esperar. Se uma ação não subir de cotação, ou até cair, o dividendo recebido vai poder fazer você esperar tranquilamente e ser remunerado enquanto o mercado não reconhece o preço justo da sua ação. Agora, se a sua ação não paga dividendo, e ela não anda, ou pior ainda, só cai, aí você está num mato sem cachorro, pois perdeu as oportunidades que andaram, e não ganhou nada a mais por isso. Esse, na minha visão, é o maior papel do dividendo numa carteira de alguém que quer efetivamente ficar rico.
Dividendos são uma boa forma de fazer dinheiro com ações, mas não têm nada de mágico em si mesmo. Não é um fator que faça a ação inerentemente melhor. Desconsiderar a valorização do principal é um erro, porque o principal pode virar um dividendo maior com uma simples realocação (claro, descontando o efeito do imposto de renda).
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